18 janeiro 2006

As opções das mulheres

Bom dia,
Ontem ouvi na televisão que o desemprego tinha aumentado nos últimos meses, sobretudo entre as mulheres. Nada que eu não soubesse já.
No entanto, mais uma vez me deparo com a falta de perspectivas de vida da mulher portuguesa.
Como tal, tomo a liberdade de copiar para aqui um excerto de um ensaio que escrevi em 2001, para uma cadeira do Mestrado:
"(...) É a partir dos anos 60 que a mulher passa a integrar a população activa. Antes disso, com taxas de actividade a rondar os 15%, as mulheres não participavam directamente no mercado do emprego. Esta mudança resultou da conjugação de vários factores: da necessidade de aumentar o rendimento da família, da emigração dos homens para o estrangeiro, da partida dos homens para a guerra colonial e da migração para as cidades.
A mulher portuguesa vê-se, assim, obrigada a conciliar os papeis profissionais e familiares no sentido de ajudar a melhorar o nível de vida do seu agregado familiar. As mulheres portuguesas são, em comparação com os restantes países europeus, das que mais trabalham. Porém, tal como é referido por João F. de Almeida et al (1994) esta situação não pode ser simplificada: “Em certos contextos sociais não há uma distinção nítida entre o estatuto da mulher activa e não activa. É o caso, por exemplo, das famílias de campesinato e de campesinato parcial, onde a mulher desempenha actividades produtivas que se interligam estreitamente com o trabalho doméstico.”
Curiosamente, os países que a nível cultural e de estrutura social mais próximos estão do nosso (Espanha, Itália, Grécia, Irlanda) são os que apresentam as taxas de actividade feminina mais baixas.
Uma vez que tal é acompanhado de gravidezes cada vez mais tardias, as portuguesas estão mesmo em segundo lugar nas mais activas, logo a seguir à Dinamarca.
Na opinião de Manuel VillaVerde Cabral (1993) tal processo “é mais importante pelas suas consequências do que pelas suas causas”.
Por outro lado, verifica-se que quase todos os casos de sucesso profissional entre a população feminina correspondem a situações em que há deliberadamente uma escolha pela carreira em detrimento da vida familiar.(...)"
Sobre este tema, para quem estiver interessado em saber mais, sugiro os livros da Anália Cardoso Torres, que é uma Socióloga que se tem dedicado ao estudo da mulher e da família.

7 comentários:

Musa disse...

Amiga, até eu já senti esse dilema de ter que optar entre a minha carreira e a minha família (quer dizer, na altura em que achava que engravidar era ir ali à mercearia às compras): tive uma oferta de um emprego bem melhor e mais aliciante mas preferi ficar aqui pertinho de casa para iniciar uma grande família... E todos os dias vejo aqui onde trabalho, 500 pessoas, 10% de mulheres. E, como técnicos, apenas eu e outra mulher. Somos sempre as únicas representantes do género em reuniões cheiinhas de homens que às vezes se esquecem de nós e dizem palavrões e tudo!
Enfim...
Beijinhos mto grandes,
Musa

Bunny disse...

INfelizmente hoje em dia é quase impossivel escolher a tempo inteiro a familia...
O ordenado faz-nos muita falta...
Mas há que saber ponderar as coisas e ver realmente o que é mais importante, e tenatr distribuir as coisas da melhor forma.
Isto td so para dizer o seguinte:
Queremos é um bebé :)

Bem Me Queres disse...

Amiga,

Infelizmente esse dilema ainda não se colocou na minha vida pq a minha estrelinha ainda não chegou, mas com a minha profissão actual dificilmente conseguirei conciliar. Terei de pensar numa alternativa, mas de uma coisa tenho a certeza, os filhos são a minha prioridade.
Beijocas doces
Cláudia

Cláudia disse...

Olá Alexandra,
Com o avanço da minha gravidez penso cada vez mais nesse assunto. Gosto de trabalhar porque me sinto realizada, mas penso que quando o Gui nascer as coisas vão mudar!
Beijinhos grande e muita força!
Cláudia

Clara disse...

Vida complicada esta, por tudo!

beijos

Anónimo disse...

Há muitas mulheres que pensam assim e tenho a certeza que não são nada felizes, chegar ao fim do mês e olhar para a conta bancária e pensar "tenho dinheiro e posso comprar tudo o que me apetecer" até é bom mas falta o mais importante não há nada melhor na vida que chegar a casa dpois d um dia de trabalho e olhar para uma carinha laroka com um enorme sorrizão do nosso bébé, isto não há dinheiro que pague...
Bijokinhas
Matilde

Nany disse...

É fácil termos as opções na nossa sempre e tentar decidir, mais difícil é ver essas opções diminuirem. Não estou a dizer que discordo com as mulheres optarem por ter filhos mais tarde, mas acho que na present situação de crescente infertilidade que a humanidade está a enfrentar se devia sensibilizar tanto as mulheres como o governo e os sistemas de saúde para encontrarem uma forma de acautelar esta situação.
Bjks